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Bancando o Intelectual – “Veja – Meus Livros” para Orkut

Quem disse que redes sociais não podem ter um conteúdo mais intelectual e interessante?

Tá bem, eu disse. Mas explico.

Quando me inscrevi no Orkut, há aproximadamente quatro anos atrás, ainda na época em que era preciso um convite para o acesso (e havia o risco de apodrecer em uma cadeia virtual), eu via na rede um meio de se discutir determinados assuntos de meu interesse. Para mim a troca de idéias sempre foi a coisa mais interessante da internet. E isso era fácil, já que havia muitas comunidades sérias, com pessoas de opiniões interessantes, onde era possível abordar-se desde política até problemas de saúde.

Com a popularização do Orkut, esse aspecto se perdeu um pouco. A maioria das comunidades hoje é voltada ao humor (farei um post sobre isso nas próximas semanas) ou a assuntos que interessam apenas a um grupo fechado de amigos. Não é uma crítica. É o preço da democratização da rede. Entendo que se a maioria das pessoas busca um modo de se descontrair, nesse caminho deve seguir o Orkut, por não ser uma rede de conteúdo específico.

Além disso, as antigas comunidades foram tomadas por spams ou por pessoas que não levavam a sério o seu intuito original, surgindo jogos de criatividade questionável e linguagem mais ainda. Nessa época de popularização, o Orkut estava “engessado” com pouca possibilidade de inovar.

Mas há pouco tempo atrás, a rede social do Google passou a aceitar a instalação de aplicativos externos (como o infame Buddy Poke) o que lhe deu novos horizontes. E um aplicativo recentemente lançado, que se encaixa perfeitamente no perfil mais sério da rede, vale seu clique: o da revista Veja, chamado de “Meus Livros”. Nele é possível adicionar todos os livros que você já tenha lido, esteja lendo ou ainda pretenda ler.

Recomendo, principalmente para os amantes da literatura.

É possível inserir comentários, ler as opiniões de outros leitores, a resenha oficial e até mesmo comprar as obras por um link direto com a Livraria Cultura (por enquanto a única parceria). Pode-se, inclusive, interagir com seus amigos leitores. Há ainda a possibilidade de comentar um livro até o ponto onde já foi lido, mesmo que ainda não o tenha concluído.

Busca Livros

Obviamente, as obras mais populares ganham destaque pela quantidade de acessos, mesmo que não sejam necessariamente as melhores (lembra da democratização da internet?).

Veja a lista na imagem ao lado.

Um ponto interessante é que até livros pouco conhecidos podem ser encontrados, como “O Estado Jardim” de Rick Mood, obra que eu não conheço ninguém que tenha lido. Somente meu dentista ouviu falar do livro.

Além disso, por ser um programa recente, as pessoas ainda não se acostumaram com os recursos. Há certa confusão dos usuários entre o que seriam resenhas e comentários, sendo que estes últimos não ajudam muito, pois geralmente são favoráveis à obra, mesmo quando o livro serve mais como aparador de porta. arteguerra

Mas mesmo que a popularidade dite as regras, não deixa de ser um ótimo estímulo à leitura, principalmente para uma geração não muito habituada à celulose.

É preciso considerar também que a idade média dos usuários do Orkut é muito baixa, muito menor que Facebook e outras redes sociais, o que faz com que alguns comentários bizarros surjam, como por exemplo:

“Ótimo! O perigo de se apaixonar por um vampiro deve ser muito excitante” (Marcella Proença, sobre ‘Crepúsculo’, achando que existem muitos vampiros e que todos se parecem com Robert Pattinson).

ou ainda

“Ótimo livro, vc aprendi (sic) a dar mais valor a vida (sic), abre as idéias, se tira grandes lições de vida (sic)” (Wellysson Melo, sobre ‘A Cabana’, provando que ortografia e gramática não foram algumas das lições de vida aprendidas com o livro de W.P. Young).

Algumas vezes a questão da idade assusta muito. Basta perceber que enquanto os livros da vampiresca saga de ‘Crepúsculo’ possuem quase cem comentários (até às 16:00h do dia 15 de dezembro), ‘Trainspotting’, um clássico da geração dos anos 90, não possui nenhum. E isso porque nem citamos Montesquieu.

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Mas são fatores que certamente mudarão – pelo menos um pouco – com o decorrer do tempo.

Provavelmente, serão incorporados novos recursos (ainda é uma versão beta, ou seja, de testes).

Uma sugestão interessante que poderia ser incorporada é a disponibilização de pequenos trechos das obras pesquisadas, uma espécie de degustação, do mesmo modo que Veja, em sua versão impressa, faz nos comentários semanais.

Outra possibilidade seria a sugestão de livros baseados no estilo de leitura do internauta, de acordo com o histórico informado.

Mas acredito que tudo isso seja questão de tempo. Inclusive, não imagino que demore para que surja aplicação similar no Facebook.

Para instalar o aplicativo siga as instruções do site oficial da Veja clicando aqui. Maiores explicações clique aqui.

Apesar dos pontos negativos, que de nenhuma forma podem ser creditados à Veja, sugiro que não espere mais para experimentar. Até porque, se acompanhou meu post até aqui, então é uma pessoa que gosta de ler muito.

Só não sei se coisas boas.

POR ANDRÉ MORAES (WWW.TWITTER.COM/AAFMORAES)

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