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Cuidando da Sua Vida

 

Silence Recentemente, um comportamento curioso tem sido notado em alguns clubes esportivos e empresas relacionadas à comunicação: a proibição de que seus contratados utilizem redes sociais.

Trata-se de fato novo. Jamais as empresas se preocuparam com o possível vazamento de informações por meio de redes de relacionamento. As que vedavam o acesso a redes sociais tinham por objetivo o rendimento laboral.

Tudo mudou com a chegada do Twitter, a rede social que mais instiga seus usuários a emitir opiniões.

Na semana passada o famoso clube inglês Manchester United proibiu que seus atletas não somente se manifestassem pelo Twitter, mas que tivessem perfis em qualquer rede social disponível. Tudo porque Darren Bent, atacante da equipe, criticou o presidente do clube no Twitter, algo que poderia ter sido perfeitamente feito de diversas outras formas, inclusive em entrevistas televisivas. Na verdade, o Twitter acabou sendo o vilão da história apenas por ser o meio de comunicação menos suscetível a controle externo. Assim, a proibição da existência de perfis dos jogadores teoricamente resolveria isso.

Manchester Mas o que o clube inglês esqueceu é que, sem a existência de um perfil oficial  de seus jogadores (‘Verified Account’), sempre surgirão pessoas se passando pelos atletas e contribuindo para o surgimento de boatos. Existem perfis no Twitter onde até hoje não é possível atestar a legitimidade. Portanto, nada melhor que a identidade oficial para se evitar informações falsas.

No Brasil ocorreu algo parecido. A Rede Globo não chegou a proibir que nenhum de seus contratados utilizasse o microblog, mas emitiu nota interna informando que é necessária autorização (prévia) para perfis em redes sociais e para a autoria de blogues.

Curiosamente, o comunicado surgiu na mesma época em que William Bonner causou furor com suas declarações nada formais através de seu perfil @realwbonner no Twitter (sobre o qual já comentamos no post “A Identidade Bonner”). Ainda não é possível saber se o editor-chefe do Jornal Nacional também foi obrigado a pedir autorização para a emissora. A verdade é que até hoje nada mudou em seu comportamento online e em nenhum momento o jornalista esteve ausente da rede.

No caso do Jornal Folha de São Paulo, a restrição foi mais leve. Na verdade, apenas recomendações para que não fossem assumidas posições partidárias, nem fosse feita a divulgação de conteúdo exclusivo.

Totalmente prescindível.

Qualquer profissional sério do jornalismo sabe que não se pode assumir posições partidárias publicamente. Não haveria motivos para que a recomendação surgisse visando exclusivamente às redes sociais, como se ali algo fosse diferente.

Muito se falou em censura, mas não é o caso. Não há nenhuma vedação para empregadores que tomem esse tipo de atitude. Apenas é totalmente dispensável.

Twitter/Reprodução É preciso lembrar que as regras que regem as relações na internet no Brasil são as mesmas que regem as relações fora dela. Tudo que é vedado aos profissionais no dia-a-dia também é aplicado à internet. Ou será que alguém teme que Jorge Pontual instigue seus seguidores a não votar em determinado candidato ou que Cléber Machado assuma sua preferência por algum time?

Se isso acontecesse, caso alguma punição fosse prevista, estaria estampada no regulamento interno da empresa, como qualquer outra conduta que a empresa desaprovasse. É verdade que, no caso de esportistas, o Twitter tem sido usado para especular transações, buscando-se a valorização de atletas. Mas não foi isso que motivou a proibição imposta pelo Manchester United, como vimos.

A meu ver, a vedação de perfis nas redes sociais traz mais prejuízos que vantagens para quem proibe, pois passa a idéia de desrespeito à liberdade alheia.

Pode até não ser verdade, mas tente explicar.

POR ANDRÉ MORAES (WWW.TWITTER.COM/AAFMORAES)

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