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Mayara Petruso – Ela Não Está Só

GlassPode ser que a maioria das pessoas não se lembre de Mayara Petruso, a estudante de Direito que criticou os nordestinos no Twitter com fortes tons racistas, apenas pelo fato de a Presidente Dilma ter conquistado sua vitória pela maciça votação naquela região. O caso foi objeto do meu post “Preconceitos” de novembro/2010.

Depois, pouco se falou a respeito do acontecido. Mas no início do mês passado o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra Mayara pelo crime de racismo. Nada mais justo.

Mas surge aí uma questão curiosa: Mayara foi autora das frases preconceituosas, porém o tema somente repercutiu porque inúmeras pessoas “retwitaram” suas declarações. No Twitter, na maioria das vezes, quando se retwitta uma mensagem é porque se concorda com seu teor. Na maioria das vezes, repito. Mas também pode ser por indignação ou reprovação, como forma de divulgar um posicionamento repudiável. A responsabilidade quanto ao conteúdo do “retweet” ainda será objeto de um post aqui no “Sociedade”.

De qualquer forma, provavelmente Mayara não foi a única a ter uma atitude racista no Twitter, seja por ocasião das eleições presidenciais no ano passado, seja em razão de qualquer outro acontecimento. Apenas foi a que teve a mensagem mais difundida e por isso está sofrendo as consequências.

Há indícios de que Mayara tenha cometido o crime e realmente deve responder por isso. Mas também é preciso que o procedimento não seja moroso e que o caso de Mayara não seja isolado por ter sido o mais conhecido. Os procedimentos precisam acompanhar a velocidade da internet, sob pena de premiar-se a impunidade. Insisto: muitas pessoas que “retwitaram” a mensagem provavelmente o fizeram por concordar com as ideias de Mayara.

O oposto também é válido. O Ministério Público Federal está investigando também Natália Campello, que possivelmente em resposta à mensagem de Mayara escreveu: “O sudeste é um lixo, façam um favor ao Nordeste, mate (sic) um paulista de bala (sic)".

As informações são do Olhar Digital.

Em uma consulta simples no Twitter, utilizando-se os termos “nordestinos” ou “negros” é fácil encontrar internautas com uma conduta muito parecida – senão pior – com a de Mayara, mas que por não terem suas mensagens tão difundidas acabam no esquecimento. Veja a seguir:

Preconceito 1 (edit)

Preconceito 2 (edit)

Preconceito 3 (edit)

E isso com poucos minutos de procura, o que demonstra que a internet muitas vezes desperta os mais reprováveis sentimentos humanos quando na verdade deveria servir para aproximar as pessoas, jamais incitar o ódio. Se o preconceito e o ódio são constantemente repudiados no cotidiano das pessoas, o mesmo deve acontecer na internet, que a cada dia ganha mais importância no convívio social.

Já está na hora de se agilizar os procedimentos de investigação, de modo que acompanhem a velocidade com que a internet e as redes sociais evoluem, sob pena de prevalecimento da impunidade de crimes que não são menos perigosos apenas por terem sido praticados no ambiente virtual.

Ou continuaremos punindo aleatoriamente criminosos, cujas declarações, por uma variante do destino, ganharam alguma repercussão? Não é bem esse o ideal de justiça que almejamos. Se o Brasil quer realmente crescer como nação, não pode mais deixar espaço para manifestações estúpidas e sem sentido como essas. No ambiente que for.

POR ANDRÉ MORAES (WWW.TWITTER.COM/AAFMORAES)

OBS. O perfil @mayarapetruso, após os acontecimentos do ano passado, foi assumido por uma pessoa que não é a original. Continua tentando fazer piadas com temas racistas.

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Preconceitos

Triste

Já foi dito que o que se escreve na internet é sempre à tinta, jamais à lápis. Não se pode voltar atrás, desdizer, por mais repugnante que seja o conteúdo. E muitas vezes os mais sombrios sentimentos vêm à tona quando menos se percebe, fluindo pela ponta dos dedos da mesma forma que uma música brota das mãos de um pianista. Só que de uma forma nada admirável.

A jovem Mayara Petruso, indignada com o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, mal percebeu quando o preconceito escondido na parte mais nebulosa de seu coração percorreu o caminho que leva diretamente aos seus dedos, passando ao teclado de seu computador e, posteriormente, tomando o mundo real. Foi dessa forma que o preconceito – o qual a própria jovem talvez nem percebesse existir dentro de si – passou de uma simples opinião a uma reprovação a nível nacional. Quando menos esperava, a jovem que pensou digitar para ninguém (ou quase isso), logo se viu envolta em uma enorme polêmica na rede.

Não à toa, lá se foram suas contas do Facebook e do Twitter, cujos seguidores foram tão arduamente batalhados e os quais ela tanto prezava.

Aliás, foi um desses seguidores que não se conformou com a ideia da moça de “afogar nordestinos” e não hesitou em usar o botão “print screen” para divulgar suas declarações postadas no Twitter (confira aqui). É preciso lembrar que seguidores nem sempre são admiradores. Muito pelo contrário. Foi assim que uma declaração infeliz, que deveria ter ficado somente entre aqueles que acompanham os microposts da moça, foi divulgada e reproduzida de forma exponencial, da mesma maneira que a notícia do término do namoro do casal mais popular do ensino médio toma os corredores de um colégio.

A indignação foi total. Suas declarações preconceituosas foram comentadas em vários sites da internet e também na mídia impressa. O ocorrido chegou até mesmo àqueles que jamais acessaram qualquer tipo de rede social ou mesmo qualquer portal da internet.

Mayara esqueceu-se que o mesmo espírito democrático que a autoriza a se expressar da forma que achar mais conveniente também levou a concorrente do seu candidato à Presidência da República. A futura presidente foi eleita pela maioria dos eleitores, independentemente do grau de desenvolvimento dos Estados em que obteve votação mais significativa.

Nada justifica suas declarações preconceituosas, como se seu voto tivesse mais valor que aqueles de regiões menos favorecidas. Pensar da mesma maneira que a moça é o mesmo que não aceitar pessoas que vivam em regiões específicas, filosofia que não combina com nenhum tipo de democracia. Suas declarações, aliás, beiram os mesmos princípios ditatoriais, cujas atrocidades precisam ser constantemente lembradas para que se evite a reincidência.

O caso de Mayara foi o mais divulgado, mas ela não estava sozinha. Em todas as redes sociais havia declarações com o mesmo conteúdo preconceituoso. Se não chegavam ao ponto de sugerir a morte por afogamento de algumas pessoas, pelo menos afirmando que a região nordeste é quem atrasa o desenvolvimento nacional. Provavelmente os mesmos que passam férias na mesma região criticada ou que votaram em um palhaço para deputado federal (eleito por São Paulo). O azar da jovem Mayara foi que seus pensamentos tiveram muito mais repercussão que os de outros, talvez pela própria apologia ao homicídio ou em razão de possuir entre seus seguidores alguma pessoa mal intencionada (ou não) que não pensa duas vezes antes de copiar a tela. Bastou um simples momento de descuido, daqueles típicos de quem subestima o poder da internet, para que os mais reprováveis sentimentos da jovem ganhassem o país de forma negativa.

Mayara Petruso nunca mais cometerá esse erro. Sua conduta está sendo apurada por diversas entidades, inclusive o Ministério Público. Dificilmente a moça vai ter novamente algum perfil em redes sociais.

Pode ser que Mayara não tenha querido expressar-se daquela forma. Talvez tenha sido apenas uma atitude impensada, como daquele bom rapaz que faz algo motivado pelos amigos e depois percebe que a atitude nada tinha a ver com seu feitio. Talvez tenha sido tudo resultado de uma explosão de ódio, por outras frustrações recentemente vividas.

Talvez. Talvez.

A verdade é que o ser humano possui sentimentos que pelo bem da sociedade procura camuflar. O problema surge quando não consegue.

Por André Moraes (@aafmoraes)

3 Comentários

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Clima Pesado

Elephants_Kenya_01

Que as redes sociais e a internet, de uma forma geral, serviram para aproximar as pessoas, inclusive celebridades e anônimos, não resta a menor dúvida. O problema, porém, surge quando os famosos esquecem da repercussão que suas palavras têm e emitem opiniões que podem ser consideradas ofensivas ou preconceituosas, ainda que algumas vezes involuntariamente.

Na semana passada a atriz Thaila Ayala (repita cinco vezes sem gaguejar) postou no Twitter (@Thailaayala) um comentário que pode ser considerado, no mínimo, de mau gosto. Referindo-se ao lugar da sua poltrona no avião, afirmou que era muito ruim sentar na primeira fila “porque todo mundo fica te olhando como se fosse paraplégico”.

Depois de receber uma enxurrada de críticas, a atriz tentou se justificar (ainda que de forma bastante agressiva) e apagou o post imediatamente. Mas não rápido o suficiente para superar o botão “print screen”.

TA

Situação parecida aconteceu com Danilo Gentili (@danilogentili), do programa CQC, que em seu Twitter disse:

"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"

Carente de um conselho de avó que trata de “emendas” e “sonetos”, sua situação piorou quando tentou se justificar sobre o comentário:

"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" .

Possivelmente alguém já o avisou que não! Não se pode chamar as pessoas dessa forma.

O que ocorre é que, nessas interações, pessoas conhecidas publicamente acabam expressando pensamentos que na verdade não o fariam por outros meios. Expõem até mesmo defeitos que são perceptíveis somente através da convivência.

O Twitter, por exemplo, dá uma falsa idéia de privacidade, pois, ao se divulgar um comentário, fica fácil de se esquecer que dezenas de milhares de seguidores (em alguns casos centenas) receberão a mensagem e terão uma opinião sobre o que foi dito, podendo repassá-la.

No caso de Thaila, a declaração foi mais fruto de ingenuidade do que preconceito, propriamente dito. Provavelmente quis dizer que não gostava de chamar a atenção por ter um lugar especial à bordo. Porém, não se pode esquecer que pessoas consideradas “públicas” devem estar mais atentas ao que dizem. De qualquer forma, sua eventual reincidência poderá passar despercebida, pelo menos por mim: a moça já ganhou meu “unfollow”.

Já no caso de Danilo Gentili, provavelmente nem seu advogado terá uma explicação plausível para o que declarou, principalmente com relação à sua segunda declaração.

Contudo, o caminho inverso é igualmente possível.

O fato mais recente – e comentado – é a indenização que o Google foi condenado a pagar a Rubens Barrichello (com recurso já interposto) pelas comunidades que, formadas por usuários do Orkut, depreciavam seu nome.

Mas esse é um assunto que merece ser tratado separadamente nos próximos posts, com uma leve dose de “juridiquês”.

Não me xingue.

POR ANDRÉ MORAES (WWW.TWITTER.COM/AAFMORAES)

 

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