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A Dor na Rede

downedtree A destruição causada pelo terromoto da semana passada no Haiti é algo inimaginável. Corpos espalhados pelas ruas, pilhas de destroços, racionamento de água e alimentos. Os primeiros relatos surgidos serviram para tirar o sono mesmo de pessoas que moram a milhares e milhares de quilômetros de distância do epicentro e para arrepiar o fundo da alma de quem, como a maioria de nós, jamais se imaginou em uma situação parecida. Gritos que continuam ecoando pelos escombros e total falta de notícias dos entes queridos são situações que extrapolam a nossa capacidade de imaginar tão extrema situação.

A angústia não se restringe ao território do país. Haitianos que moram no exterior perderam totalmente o contato com os entes que lá permaneceram. Não era possível obter informações por telefone, pois as centrais foram destruídas, bem como as linhas de transmissão. O mesmo aconteceu com a energia elétrica, dificultando ainda mais o recebimento de notícias pelos meios convencionais.

Mesmo depois de vários dias da ocorrência, a internet tem se mostrado mais confiável que qualquer outro meio de comunicação.

Diante desse quadro, por mais fútil que possa parecer falar sobre redes sociais, curiosamente são elas que estão trazendo algum alento às pessoas que moram fora do devastado país, além de orientar quem procura um modo de ajudar as vítimas.

No Orkut, a comunidade “Missão Haiti” (clique aqui para acessar), que existe desde 2004, está servindo para a troca de idéias e obtenção de informações a respeito da situação dos militares brasileiros em missão. Aliás, chega a ser irônico que isso aconteça logo após minha crítica a respeito da quantidade de comunidades inúteis que existem naquela rede social. Na “Missão Haiti” até mesmo a atualização das baixas é feita de maneira bastante eficiente, algo que nem sempre é comum quando se trata de redes sociais.

Mas nenhum site retrata com maior fidelidade o terror no Haiti que o Youtube. Os vídeos são chocantes e postados com uma frequência considerável, a maioria proveniente das transmissões de redes de televisão presentes no local da tragédia (clique aqui para assistir). Alguns são realmente perturbadores, até porque contam com o realismo que somente pode ser captado por cinegrafistas. Mas a realização desse tipo de transmissão apenas foi possível a partir do momento em que as equipes de televisão estrangeiras conseguiram chegar ao local, ou seja, após mais de 24 horas do ocorrido, uma vez que que as redes locais estavam quase que inteiramente impossibilitadas de gerar imagens para o exterior.

Exatamente por isso, em matéria de agilidade, nenhuma rede social superou o Twitter. Lá, o acontecimento foi noticiado em tempo real.

Troy Livesay, do blog livesayhaiti.blogspot.com, postou no microblog:

“Acabamos de sofrer um IMPORTANTE terremoto aqui em Porto Príncipe – as paredes estão caindo. Estamos TODOS bem. Rezem pelos que estão nos bairros mais pobres”.

Definitivamente, nenhuma outra forma de comunicação conseguiria atingir tão rápido um número tão significativo de pessoas como o Twitter. A Cruz Vermelha Internacional (@RedCross) também usou da ferramenta para orientar a respeito de doações e postou informações na medida em que chegavam. Vale lembrar que tudo é passado instantaneamente a todos os seus seguidores (mais de 45000), que igualmente republicaram o post. Seria mais ou menos a lógica de uma epidemia.

O mesmo aconteceu com a organização “Médicos Sem Fronteiras”.

A Folha Online, página da internet do jornal Folha de São Paulo, também disponibilizou um endereço no Twitter para o recebimento e repasse de informações relacionadas ao Haiti (@folhanohaiti). Possui ainda uma página no Facebook, com o mesmo propósito (clique aqui para acessar).

São apenas alguns exemplos.

As redes sociais continuam desempenhando importante papel na ajuda aos moradores do Haiti, bem como em outras situações de emergência. Por isso, quando disserem que redes sociais servem apenas para se achar namorado, lembre-se que elas serviram para consolar e aliviar muitas pessoas que buscavam notícias de seus entes queridos, antes mesmo das onipresentes redes de televisão.

E isso não é pouco.

POR ANDRÉ MORAES (WWW.TWITTER.COM/AAFMORAES)

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