As Redes Sociais e a Terceira Idade

MF_9682 Normalmente associadas ao público jovem, as redes sociais têm conquistado, dia após dia, um número cada vez maior de adeptos com mais de 60 anos de idade. Os objetivos variam, mas a maioria das pessoas dessa faixa etária procura nos sites de relacionamento a diminuição da distância com relação a parentes, amigos e conhecidos. É possível estar mais perto de um filho que se mudou para longe, além de manter contato com pessoas que há muito tempo não se tinha notícias.

Atualmente, 4% dos usuários brasileiros do Facebook possuem mais de 55 anos de idade. Pode não parecer muito, mas isso corresponde a mais de um milhão e meio de pessoas. E levando-se em consideração que é um ambiente com muito mais atrativos para os jovens, os números não podem ser desprezados. Isso sem mencionar outros sites de relacionamentos. Nos Estados Unidos, país com maior número de inscritos no Facebook, esse percentual sobe para impressionantes 13%. E continua crescendo. A faixa etária com mais de 65 anos foi a única que teve um aumento considerável naquele país nos últimos 2 meses. Os dados são do site Socialbakers.

O fenômeno é relativamente recente no Brasil e por isso não refletiu no Orkut, que já foi a rede social mais popular do país. E como a intenção principal costuma ser manter contato com pessoas conhecidas e parentes, o Twitter, por limitar o tamanho das mensagens, acaba não agradando tanto.

Contudo, o que mais dificulta a utilização das redes sociais por pessoas dessa faixa etária ainda é o manuseio dos recursos do site, cada vez mais complexos. “Ainda não me entrosei bem nas redes sociais” – reconhece Dona Yara Sposatti (73), moradora de São Paulo do bairro Palmas do Tremembé – “Creio que poderiam ser mais simples”. Dona Yara tem razão. O Facebook está em constante mudança, o que acaba dificultando a utilização de pessoas com mais idade. A rede social era muito mais simples há alguns anos atrás, assim como a maioria dos sites também era. Com o Orkut aconteceu o mesmo. Apesar disso, Dona Yara vê muitas vantagens na utilização das redes sociais: “Através do Orkut tive a oportunidade de reencontrar parentes e amigas que não tinha notícias há mais de 20 anos”, comemora.

E isso é mesmo algo que definitivamente não tem preço.

Para ajudar as pessoas da terceira idade a lidar melhor com os recursos das redes sociais, existem cursos visando exatamente essa finalidade. A Visarte (Rua Prof. Pedro Pedreschi, 346, Tremembé), por exemplo, é uma associação sem fins lucrativos que possui um curso de informática voltado para pessoas com mais de 50 anos e que têm interesse em ingressar nesse mundo novo e fascinante. O curso já conta com cerca de 90 alunos, a maioria de pessoas da terceira idade.

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Andréa Schaidt, responsável pela entidade, afirma que as maiores dificuldades dessas pessoas estão no fato de se sentirem socialmente excluídas e com baixa auto-estima. Há também aqueles que precisam de maior atenção em razão da saúde, principalmente com problemas na audição e visão. Por esse motivo, a entidade realizou no ano passado campanhas com oftalmologistas para tentar amenizar as dificuldades e possui planos de que a ideia se repita em 2012. De tudo isso surge a certeza de que o trabalho compensa. “Eu pessoalmente já presenciei alunos se emocionando depois de conseguirem mandar um e-mail ou visitar o perfil de um ente querido em redes sociais”, afirma Andréa. “É um trabalho gratificante o de conectar esse público ao mundo digital. E o que fazemos aqui na Visarte é desfrutarmos juntos desse processo”.

Mas as dificuldades, ainda que comuns, não são uma regra. Dona Rosa Bernardino Galvão (73), de Ribeirão Preto, acessa diariamente o Facebook e para ela não há o que ser modificado na rede social. “A minha nota é dez”, afirma. E vai mais longe: “Gostaria de ter 20 anos menos para fazer uma faculdade de Ciências da Computação. Como gostaria!”.

De qualquer forma, essa mudança no perfil das redes sociais só serve para engrandecer ainda mais a internet. Se existem dificuldades, existe também a convicção de que serão rapidamente superadas. Afinal de contas, uma coisa que essa turma sabe tirar de letra é vencer desafios. E os mais novos também têm muito a aprender com isso.

POR ANDRÉ MORAES

 

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Arquivado em Análises, Facebook, Mundo, orkut

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